Inocência...

Tac! Estalei os dedos! Todos quietos olhando para o teto sem se mover.
Trim! Trim! Toca o telefone! Não se sabe o nome de quem vai atender.
Psiu! Psiu! Psiu! O que é isso? Que som mais esquisito! Quem está aí?
Xiu! Xiu! Alguém está voltando, saindo do encanto! É preciso correr.
Aha! Aha! Aha! É um riso! Parece um menino, deve ser um moço, não se sabe.
Crac! Caiu no chão, de cima do fogão a panela de barro. Quem é o dono?
Trec! Vão abrir a maçaneta! Será uma surpresa? Nem vão deixar gorjeta.
Ei! Ei! Ei! Esses são gritos, vêm do infinito ou de outro lugar qualquer.
Ploft! Uma gota d’água que escorre pela escada e não se sabe para onde vai.
Xuá! É chuva! Vai molhar a todos! Aos inteligentes e também aos bobos.
... E isso agora? Não se ouve nada... A armadilha está armada.
... ... Pufff! Foi pego, tão indefeso o pobre animal.
Tac! Os dedos estalados, o telefone tocando e não tem ninguém para atender. Parece que alguém vem vindo, mas é só um ruído, é melhor esperar. Está se ouvindo um riso lindo, um jovem riso! É o riso sincero de um menino que vê a mãe cozinhando em seu fogão a lenha com suas panelas de barro. Esperem! Quebraram-se as panelas! Vieram correndo para ver. Estão abrindo a porta, querem socorrer. Gritavam lá de dentro, que o menino desatento ficou perto do fogão. A mãe está desesperada, sentada na escada, suas lágrimas vão ao chão. Um gemido de dor é mãe em agonia. Está chovendo, estão correndo... Tudo acabou. O menino pequeno está caído. Tapem o ouvido! A criança morreu. Indefeso foi morto o pequeno moço, que aguardava o almoço ao lado do fogão.

Valquiria Rigon Volpato
28 de julho de 2007

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