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Mostrando postagens de 2026

Fiapo

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"Um fiapo é pouco. É resto, fragmento, uma quantidade mínima de alguma coisa. Um fiapo de linha, um fiapo de esperança, um fiapo de voz, um fiapo de luz. Mas ainda é alguma coisa." Na virada do ano, a gente costuma fazer alguns rituais, daqueles que, no ano seguinte, vão mudar nossas vidas, trazer amor, dinheiro, uma viagem inesquecível, resolver um problema ou, simplesmente, nos dar um novo ano de paz. No dia 31 de dezembro de 2023, assim como faço há alguns anos, estava em casa com minha família, comendo um jantar preparado para a ocasião, estourando um espumante, rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, desejando feliz Ano-Novo. Pedi, naquele fim de ano, ter um 2024 melhor, fiz os mesmos planos de sucesso — é provável que tenha usado alguma peça amarela. O novo ano chegou. Trabalhei bastante, mas também fiz aquela viagem, guardei algum dinheiro, investi na construção da minha casa e, no meio do caminho... perdi minha mãe. É. Eu sei. Foi exatamente assim que me senti em outubr...

A metáfora da vida

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Este texto foi escrito sob encomenda, para ser lido na noite do dia 09 de julho de 2026, na "Noite Desgala". Acontece, caros amigos e amigas, que a vida, em sua elegância de existir, faz de nós confiantes demais num prolongamento incerto da matéria. Tratamos do futuro sem sequer nos darmos conta do hoje, do segundo que, em segundos, vira ontem — essa ficção a que chamamos passado. Se me permitem, quero dizer da vida que tive: esta navegação errante cuja embarcação segue em velocidade moderada, conduzida por outras vidas — algumas ainda vivas em oxigênio e carbono; outras, vivíssimas na memória —, todas rumo ao norte que, inevitavelmente, aponta para a morte. Em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho registrou a palavra “nojo” ao se referir ao afastamento do trabalhador de suas funções em razão do luto. Para o bom português de Portugal, nojo significa tristeza, pesar, desgosto. Já para nós, brasileiros, a palavra ganhou outra versão: nojo é repulsa, asco, aquilo de que o co...

Ah! Uma Mulher – sempre há.

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  Peço licença pra chegar, desculpem, homens, mas hoje é sobre mulher que quero falar, é no toque do amor que eu firmo minha palavra, é no respeito dessa prosa que a história vou contar. Peço licença pra chegar, que mulher não é silêncio pra ninguém silenciar, é raiz que atravessa o tempo, é semente que insiste em brotar. Há uma mulher — sempre há — antes do nome que a vida vai dar, antes do medo bater na porta, antes do mundo querer apertar. Há uma mulher que madruga cedo, mesmo quando o corpo pede pra parar, carrega o dia nas costas e no colo, sem ninguém ver o peso que ela tem pra levar. Há uma mulher que aprende na marra que viver não é só caminhar, é segurar o céu com mãos pequenas e ainda assim continuar. Há uma mulher que quebra calada, sem fazer alarde, sem se anunciar, nos cantos da casa, no fundo da alma, onde ninguém costuma olhar. Mas há uma mulher que se levanta, e isso ninguém pode negar, tem uma força que não faz barulho, ela faz o mundo gir...

Vagalume na janela

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"Um vagalume na janela - e tudo o que a gente ainda não conseguiu dizer sobre saudade" Ontem, quando a noite vinha chegando, vi um vagalume; ele dançava bem à minha frente. Era rápido, subia e descia pelo ar com velocidade invejável, cintilando de amarelo o céu quase escurecido. Lembro-me da última vez que o vi — sim, não é qualquer vagalume, conheço aquele brilho. Ele estava rodando, exatamente, no mesmo espaço; porém, eu observava da janela de outro quarto e tinha os olhos úmidos. Não sei dizer a data, mas sei que olhava pela janela tentando alcançar o céu, rezando para que minha mãe voltasse para casa; entre lágrimas e orações, ele apareceu, reluzente, e por alguns segundos me senti menos angustiada, como se ver aquele “ser de luz” me devolvesse a esperança e trouxesse paz. Depois daquela primeira vez, a vida aconteceu de muitas maneiras — minha mãe não voltou para casa e eu troquei de janela — até que ontem ele voltou. O céu, na linha do horizonte, tinha um alaranjado típ...