Vagalume na janela
"Um vagalume na janela - e tudo o que a gente ainda não conseguiu dizer sobre saudade" Ontem, quando a noite vinha chegando, vi um vagalume; ele dançava bem à minha frente. Era rápido, subia e descia pelo ar com velocidade invejável, cintilando de amarelo o céu quase escurecido. Lembro-me da última vez que o vi — sim, não é qualquer vagalume, conheço aquele brilho. Ele estava rodando, exatamente, no mesmo espaço; porém, eu observava da janela de outro quarto e tinha os olhos úmidos. Não sei dizer a data, mas sei que olhava pela janela tentando alcançar o céu, rezando para que minha mãe voltasse para casa; entre lágrimas e orações, ele apareceu, reluzente, e por alguns segundos me senti menos angustiada, como se ver aquele “ser de luz” me devolvesse a esperança e trouxesse paz. Depois daquela primeira vez, a vida aconteceu de muitas maneiras — minha mãe não voltou para casa e eu troquei de janela — até que ontem ele voltou. O céu, na linha do horizonte, tinha um alaranjado típ...