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"Dois dedos de prosa"...

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...e foram só “dois dedinhos de prosa”. Tão rápido quanto engolir o café já nem tão quente. Entre um pensamento e outro, a conversa ligeira e lisonjeira ao passado que ficara para trás. Expressão saudosa, lembrando-se do que ficou parado em algum lugar no tempo, sorria vez ou outra contando com alegria peripécias que viveu. Falava com ardor ímpar sobre as noites e como as via chegar ao fim; das bebidas e bebedeiras. Impregnado do perfume barato misturado ao cigarro, ao álcool, voltava para casa exalando felicidade boêmia, caminhando com passos tortos e olhos miúdos, mas que cintilavam à luz amarelo-alaranjada-incandescente dos postes encontrados rua a fora. De volta, cabeça pesada sobre o travesseiro, encerrava ali a jornada noturna, sem sonhos, sem reflexos e reflexões, espécie de ponto final, dormia. Nada mais. Pausa. Outra lembrança. Um umidificar de olhos, quem sabe. Continuou. Mais histórias, mais intimidade com a madrugada – não falou sobre o dia; ignorou –, queria mesmo ...

(ainda sem título. Talvez nunca o tenha)

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"...aqui dentro, dentro de mim, ainda é noite." ...amanheceu. É possível que haja luz lá fora. É possível que haja flores colorindo os cenários. É possível que meninos estejam jogando futebol na rua, marcando gols entre traves de Havaianas. É possível que os passarinhos estejam construindo seus ninhos com gravetos nos bicos, espertos, arquitetos, engenheiros do ar! É possível que, em algumas cozinhas, mães estejam assando bolos de chocolate e enquanto o sabor em forma de cheiro inebria toda a casa, elas cantem ao som da música de suas épocas, músicas que só se escutam nas AMs matinais... É possível que amigos estejam conversando sobre qualquer banalidade que os faça sorrir, sentados nos bancos da praça, onde os pombos os rodeiam à expectativa de migalhas, farelos do pão que seguram envolto a um papel cinza salpicado de preto, papel esse que ganharam na padaria, momentos antes, das mãos do Silva, o José da Silva, nordestino, sujeito de caráter, de sorriso fácil, de vi...

“Não gosto de política, Deus me livre!”

Não sou muito favorável àquela antiga fala “não gosto de política, Deus me livre!”, que não raro escutamos por aí. Quem não tem afinidade com política, normalmente, recusa-se até a opinar sobre o assunto, num total “deixa isso pra lá e vamos falar de futebol”. Uma pena, porque talvez muito do que hoje é objeto do desgosto de tantos, poderia (quem sabe) ser, ainda que minimamente, distinto do que é. Se me perguntarem: Valquiria, você gosta de política? Minha resposta virá nestes termos: Gostar não é o melhor verbo para se empregar à pergunta, muito menos à resposta. O caso não pede um gostar puro e simplesmente, mas sim um dever; o exercício diário do não se furtar ao assunto, não se permitir escapar da reflexão, ainda que custosa, sobre todas as mazelas vividas ao longo da história, do não descartar convites que solicitam a participação, do não desistir das possíveis realizações e das necessárias mudanças; do não conhecer e do não se privar de ser cidadão. Criticar por criticar ...

Audiência Pública no Itabira

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Audiência Pública realizada no Itabira - 02.04.2013 A conteceu no dia 02 de abril a tão esperada Audiência Pública para aprovar o Plano de Manejo do Monumento Natural do Itabira, momento que contou, efetivamente, com a participação popular. Presentes, também, o Prefeito, o Secretário de Meio Ambiente, Gustavo Coelho Marins, o representante do Ministério Público, Dr. Hermes Zaneti Júnior, Conselheiros do CMMNI, integrantes da empresa Visão Ambiental, responsável pela coordenação dos estudos, os vereadores Alexandre Maitan e Delandi Macedo, além de outras importantes presenças, que no decorrer dos trabalhos deram sua contribuição. O evento foi dividido em duas partes, sendo a primeira reservada à exposição dos estudos técnicos realizados na região, e a segunda para perguntas, debates e esclarecimentos de dúvidas. O público presente, formado, como não poderia deixar de ser, essencialmente por proprietários das terras em questão, não economizaram perguntas e, felizmente, saíra...

Quando há determinação, nada pode impedir!

Li esta semana no Portal G1 matéria que me causou especial comoção. Falava sobre o “menino” Cláudio Luciano Dusik, que nasceu com atrofia muscular espinhal (AME), doença degenerativa que deforma o corpo e limita os movimentos. De acordo com os médicos ele viveria até os 14 anos, se muito. Não havia, exatamente, uma história a ser contada, porque sua história já se iniciara com fim anunciado. Vivendo em universo de prováveis impossibilidades, Cláudio, gaúcho de Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre, levado pela mãe, passou a frequentar a escola e por várias vezes ficava sozinho na sala de aula na hora do intervalo, pois não tinha acessibilidade para ir ao pátio do colégio que ficava no térreo do prédio. Somente mais tarde, na terceira série, um professor desenvolveu projeto chamado “Ajudante do Dia” e foi a partir daí que começou a interagir com outras crianças. Sentiu-se feliz por poder ser empurrado na cadeira de rodas adaptada e por cair de vez em quando; o menino, final...

E vai ficar por isso mesmo?

No início da semana fiquei sabendo de fato entristecedor, que aconteceu (e acontece) nos arredores da igreja Nosso Senhor dos Passos, a Matriz Velha, como muitos ainda chamam. Disseram-me que, no final da tarde de terça-feira, vários adolescentes, em sua maioria estudantes do colégio Liceu Muniz Freire, aglomeraram-se para assistir uma suposta briga de meninas, num verdadeiro tumulto às portas da igreja. Ainda segundo informações, funcionários da igreja ficaram amedrontados, vez que os jovens se portavam de maneira agressiva e impediam até mesmo a entrada na igreja. Mas este não foi o pior dos acontecimentos. No intuito de dispersar os espectadores da briga e também aqueles envolvidos diretamente nela, uma senhora que, por questões de segurança não citarei o nome, ligou para a polícia e informou o que estava acontecendo, mas, infelizmente, foi neste momento que o abominável ocorreu. Um dos jovens avançou em direção à senhora e, brutalmente, agrediu-a, derrubou-a e aproveitando-s...

Pequenas atitudes, grandes realizações!

As mudanças que queremos ver no mundo devem começar em nós e isso não se discute. Engana-se quem pensa ser apenas com atos homéricos que se conquista algo também grandioso; engana-se quem associa a grandiosidade das obras ao tamanho de seus gabaritos. Existem “grandezas” que os olhos não veem e outras que podem ser vistas, mas que nem sempre são percebidas. Quando existe vontade a mudança acontece. E substituindo a palavra “vontade” por “interesse”, fica ainda mais nítida a possibilidade de transformação da realidade. Vontade e interesse até se assemelham, porém são distintos; primos, quem sabe. Ter o desprendimento necessário para atingir o nível satisfatório de vontade capaz de promover soluções sem para isso obter nada em troca (um sorriso?), citando Shakespeare: “eis a questão”. As pequenas atitudes que geram grandes realizações (não visuais), mas interiores, estão intimamente ligadas ao desejo de fazer e ser o bem que o outro necessita. Nada mais. Não há contrapartida. ...