Postagens

Sobre cabelos e outras voltas que a vida dá...

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Lembro-me bem de quando tinha 12 anos. 12 não, talvez um pouco menos. 10 anos, isso. Era aquele tipo de criança miudinha – a sensação é de que tenho o mesmo tamanho desde então – nunca fui do tipo magra, era mais o que minha avó dizia: “tem saúde, essa menina!”. Uma criança, com coisas de criança, mas com certas insatisfações tão severas, que, às vezes, nem parecia ser criança. Sabe o cabelo enrolado? Ah, que tristeza que era aquilo… Estar diante do espelho, ver os cabelos rebeldes, sem limites, como se estivessem em plena revolução, despertava a vontade de entrar, literalmente, em guerra contra aqueles fios indomáveis. É… e virou guerra MESMO! Nas primeiras batalhas, obriguei minha mãe a ser aliada de fronte; olhei para ela, decidida, e disse: “vamos alisar”. Decisão que parecia muito corajosa para uma menina de 12 anos, agora sim, já com 12 anos e insatisfações ainda maiores. Começamos a saga da compra de produtos e idas aos salões de beleza, mas nada parecia adiantar muit...

Falando a verdade

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No último Domingo, exercitando o “moderno” hábito de “navegar” pelas redes sociais, encontrei o perfil de Fernanda De La Corte, no Instagram. Num primeiro momento, chamou minha atenção a foto em que Fernanda mostrava o sorriso de um lado e o choro do outro; li sua postagem, curiosa para entender o que havia. Minutos depois, tornei-me sua “seguidora” e então lia seus posts com maior avidez. A moça, tão bonita, descreveu em sua bio, estar em tratamento para superar a bulimia, o comer seguido da necessidade do vômito e a compulsão por comida; um choque acompanhado de solidariedade e dor invadiram meu coração. Não sei quem é Fernanda, não frequento sua casa, nunca tomei um café com ela, não tive a oportunidade da conversa, das saídas e quem sabe até de ter sido sua vizinha e ter brincado com ela na infância. Nada disso. Não sei quem é Fernanda, mas, de alguma forma, senti sua dor, a angústia permeada pela culpa, o medo escorado no desespero e as inúmeras tentativas de fuga; fugir dali, ...

(In) certezas

Se digo Se calo Se quero Se não Se tenho Se deixo Se vou Se volto Se amo Se odeio Se eu Se eles Se vivo Se morro Se sonho Se... E...  Se tudo? Se é absurdo? Se quase? Quase? Nada... Valquiria Rigon Volpato 24 de junho de 2017

Fugaz

Desejo, Lampejo, Piscar de olhos.  Havia vontade, Portanto, querer. Era tanto, Tão forte, Por que? Sem resposta, Não importa.  Deixa viver.  Querer é pouco, Faz-me louco... E daí? Permita acontecer... Vida é hoje. Agora é já.  Pressa? Tenho.  Medo? Também.  Ser humano? Sim. Até a morte... amém! Valquiria Rigon Volpato 03 de junho de 2017

Percepção

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...foi quando reparei que havia, naquele canto que julgava ser "qualquer", um amontoado de silêncios, incrivelmente, perturbadores. Como não os tinha notado antes? Talvez houvesse palavras demais fazendo barulho. Valquiria Rigon Volpato 28 de maio de 2017.

Estou indo embora

No mais? Estou indo embora...  Ser quem ainda não fui,  Viver como ainda não consegui,  Conquistar o que pretendia e não alcancei. Estou indo embora... embora daqui,  Do comodismo, da mesmice. Estou indo embora, Deixando para trás o eu de antes A vida como ela era... Embora do que não é diferente. Indo daquilo que faz mal. Partindo do que não enriquece, não enobrece.  Estou... Indo... embora... O aceno final não é para outro alguém que fica Mas para mim mesmo.  Eu fico.  Eu vou.  Aquele antigo não serve mais. Encolheu. O novo está por vir Só queria dizer "tchau" para as amarras E dizer "olá" para o amanhã.  Nunca é tarde para regar esperanças... Lembranças são do que passou. Sonho mesmo é com o que virá.... Valquiria Rigon Volpato 27 de maio de 2017

O doce perfume da infância

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... descobri que gosto do cheiro do leite. Por duas vezes me surpreendi retirando a caneca de louça do microondas e respirando o aroma do leite quente. O cheiro do leite puro, quente, causou-me sensação boa, conforto, talvez até um gosto de infância. Usando das permissões diárias, aquelas nem tão úteis que damos a nós mesmos, contudo necessárias, permiti-me viver e apreciar alguns minutos contemplativos, dedicados ao leite. Refleti momentos de vida em que ele foi protagonista... Minha mãe não foi daquelas que praticou o desmame. Resistiu firme e me permitiu mamar até os três anos! Mamava de pé. Nem sei se ela ainda tinha leite para me oferecer... Hoje sei que deveria ter dado descanso a ela, tadinha, mas também serei eternamente grata por ter me permitido experimentar o amor em forma de leite por tanto tempo... Quando criança, morando na roça, lembro-me de que todos os dias havia leite sobre a mesa; era leite fresco, recém ordenhado, que vinha num galãozinho metálico. Papai o...